Hoje assisti ao filme "A Mulher Invisível" com Selton Melo e Luana Piovani. Pura diversão! Pedro, personagem interpretado por Selton, se apaixona por Amanda (Luana), uma mulher perfeita. Ela é linda, carinhosa, sensível, companheira, adora futebol e não é ciumenta. O problema é que essa mulher só existia na cabeça dele. Como pode uma mulher de verdade se empolgar com um jogo da terceira divisão? A propósito, o jogo em questão é narrado por mim. Quero dizer, um pequeno trecho. Então, quando ouvirem o "na traaaaaveee!" durante o filme não se espantem. Sou eu mesmo!
Eu recomendo!
Em tempo já tive a honra de emprestar minha voz para outros dois filmes. A primeira vez foi em "O Casamento de Romeu e Julieta" também com Luana Piovani e Marco Ricca. Marco é Romeu, corintiano roxo que se apaixona por Julieta (Luana), uma palmeirense doente. Fui convidado pra narrar uma goleada do Palestra Itália sobre o Corinthians por 8 a 0, aplicada em 1933. Fiz uma pequena pesquisa pra descobrir como essa partida teria sido narrada na época. Muitas palavras ainda não tinham tradução na linguagem do futebol. Cruzamento era "cross", bola era "ball"... Foi muito bacana. E o filme também é diversão garantida. Sessão da tarde com direito à pipoca e refrigerante.
Fica a dica para um cineminha em casa.
O outro filme ao qual emprestei minha voz foi "Achados e Perdidos" com Antônio Fagundes, Zezé Polessa e Juliana Knust. Mais uma boa dica pra quem não está afim de encarar o frio e prefere curtir um filminho em casa.
São 18 anos trabalhando com jornalismo esportivo. Já devia estar acostumado com as cenas de selvageria protagonizadas por vândalos a cada decisão, a cada clássico. Mas não. Ainda me choco. Outro torcedor morreu por causa de conflitos entre torcedores. Pela manhã, acompanhei imagens pelos telejornais e ao passar pela avenida Pacaembu, pude ver o que sobrou de um ônibus queimado durante a partida de ontem entre Corinthians e Vasco. Fico espantado e me pergunto por quê? Qual a razão para ira tão grande? O que justifica esse ódio entre pessoas que não se conhecem, apenas torcem para times diferentes? Acontece aqui, acontece em Barcelona, acontece em Roma... Acontece no mundo inteiro.
Na ânsia por respostas já li de tudo. Pesquisei sobre a violência dos hooligans, na Inglaterra, e tentei traçar um paralelo com a violência no Brasil e nos vizinhos americanos. Num primeiro momento conclui, precipitadamente, que atos de violência na Europa estavam relacionados ao nacionalismo exacerbado, às questões ideológicas. Na América do Sul eram fruto da falta de educação, de cultura, da miséria e das desigualdades sociais.
Hoje vejo que estava enganado. Ainda não tenho respostas, mas creio que tem a ver com o próprio Homem e suas limitações históricas. Mais precisamente com a intolerância presente em vários aspectos das relações humanas. É na política, na economia e nas mais simples das relações. Falta apego aos valores; respeito à pessoa, ao outro.
Mais triste é ver que não existe a menor expectativa de mudança em curto espaço de tempo. Falta vontade política, faltam pessoas afeitas à reflexão. E ficaremos novamente chocados após a realização do próximo clássico ou da próxima decisão.